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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Livro lança análise sobre a Semana de 22

Há 90 anos, o Theatro Municipal de São Paulo preparava-se para receber um evento que se tornou um mito cercado de polêmicas, para sempre inscrito na história da cultura brasileira.

A ideia da Semana de Arte Moderna, realizada entre os dias 13 e 17 de fevereiro de 1922, era instaurar-se como marco de transformação e ruptura. Nada como nove décadas para colocar o evento em perspectiva e analisar suas contradições.

Em 1922 - A Semana que Não Terminou (Companhia das Letras), Marcos Augusto Gonçalves, editorialista e repórter da Folha de S.Paulo, investiga a gênese do movimento, recupera momentos-chave e traça o perfil de seus mentores com riqueza de detalhes e vasta pesquisa iconográfica.

Fruto de três anos de pesquisa, o livro cobre um período que vai da virada do século a 1923 e mostra que o modernismo no Brasil começou antes de 1922. Nele são descritos os encontros festivos na "garçonnière" de Oswald de Andrade, a formação cristã de Mário e a pena inclemente de Monteiro Lobato, que, em crítica à exposição de Anita Malfatti, em 1917, comparou a arte moderna a desenhos que ornam os manicômios.

Na Semana de 22, pela primeira vez a plateia paulista ouviu a música de Villa-Lobos. Oswald e Mário foram recebidos com um coro de vaias - mas muitos pesquisadores supõem que estas teriam sido orquestradas pelos organizadores do evento, para causar furor.

Com uma abordagem jornalística, 1922 tem o mérito de reunir informações de bastidores em uma narrativa fluente. Não se propõe a trazer novas descobertas (embora reserve algumas), mas sim a contar boas histórias. Por exemplo: mostra como os artistas foram convidados sem muito critério, às pressas, para o evento, e que muitas das obras apresentadas conectavam-se à tradição que pretendiam confrontar.

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